Os portugueses têm hoje mais de 200 mil milhões de euros parados em depósitos bancários, segundo dados do Banco de Portugal. Duzentos mil milhões. É dinheiro que não está debaixo do colchão — está no banco, numa conta que parece segura. O problema é que segura não significa rentável. E em 2026, com inflação prevista perto dos 2,8%, cada euro que não rende está a valer menos amanhã do que vale hoje.
Se tens 1.000€ — ou qualquer outro montante — parado numa conta à ordem, este artigo é para ti.
O que acontece ao dinheiro parado no banco
A conta à ordem de um banco português paga em média entre 0% e 0,1% de juro anual. Com inflação de 2,8%, o poder de compra desse dinheiro desce cerca de 2,7% por ano em termos reais.
Na prática: 1.000€ hoje equivalem a cerca de 973€ de poder de compra daqui a um ano, se ficarem parados. Não perdes o número na conta — perdes o que esse número consegue comprar. É uma erosão silenciosa, sem notificações, sem alarmes.
As alternativas seguras que existem em Portugal
Não precisas de ir para a bolsa nem de correr riscos para o dinheiro render mais do que zero. Em Portugal há opções de capital garantido ou muito baixo risco que, em 2026, pagam bastante mais do que a conta à ordem.
Certificados de Aforro (Série F) — emitidos pelo Estado português, acessíveis nos CTT ou online via AforroNet. A taxa base está indexada à Euribor a 3 meses, atualmente a remunerar cerca de 2,2% brutos, com prémios de permanência que sobem ao longo dos anos. Resgatáveis após os primeiros 3 meses, sem penalização. São um dos produtos mais transparentes e acessíveis para o aforrador comum.
Depósitos a prazo — em junho de 2026 existiam mais de 65 depósitos a prazo a pagar mais do que os Certificados de Aforro, com alguns a atingir 2,5-3% brutos. O contra é a liquidez: o dinheiro fica imobilizado até ao fim do prazo, com penalização em caso de levantamento antecipado. Compensa para dinheiro que sabes que não vais precisar durante 3 a 12 meses.
Contas poupança remuneradas — alguns bancos digitais oferecem contas poupança com taxas entre 2% e 2,5% brutos, com liquidez imediata. Úteis para o fundo de emergência — o dinheiro fica acessível, mas rende mais do que na conta à ordem.
ETFs de acumulação (para horizonte de longo prazo) — se o dinheiro não é necessário nos próximos 5-10 anos, um ETF global de índice permite aceder ao mercado de ações de forma diversificada, com custos baixos. Não é capital garantido — pode descer antes de subir — mas historicamente o mercado global tem gerado retornos muito superiores à inflação no longo prazo. Não é para o fundo de emergência; é para a poupança que não vais tocar.
Antes de tudo: o fundo de emergência
Uma nota importante antes de colocares o dinheiro a render: se ainda não tens um fundo de emergência com 3 a 6 meses de despesas essenciais, essa é a primeira prioridade — não o investimento.
O fundo de emergência deve estar em liquidez imediata: conta poupança remunerada ou Certificados de Aforro (após os primeiros 3 meses). Não em depósito a prazo sem mobilização, não em ETFs, não em imóveis. Precisa de estar acessível quando o carro avaria ou o emprego acaba.
Só depois de teres essa base é que faz sentido pensar em onde colocar o restante.
O que fazer com 1.000€ parados agora
Uma abordagem prática, consoante a situação:
Se não tens fundo de emergência: os 1.000€ vão para uma conta poupança remunerada ou Certificados de Aforro. Ficam acessíveis, rendem mais do que zero, e começam a construir a tua almofada financeira.
Se já tens fundo de emergência mas o horizonte é curto (menos de 1 ano): depósito a prazo ou Certificados de Aforro. Capital garantido, rentabilidade superior à conta à ordem.
Se o dinheiro é “extra” que não precisas nos próximos 5+ anos: considera diversificar com uma parte em ETFs através de uma corretora. Não todo o dinheiro — mas uma parte que podes deixar quieta.
FAQ
Os Certificados de Aforro são seguros?
São garantidos pelo Estado português. O risco é o risco soberano — o mesmo de qualquer obrigação pública. Para o contexto de um aforrador individual, são considerados um dos produtos de mais baixo risco disponíveis em Portugal.
Os depósitos bancários têm alguma garantia?
Sim. Os depósitos em bancos portugueses ou sucursais de bancos da UE em Portugal estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000€ por titular e por instituição.
Tenho de pagar imposto sobre os juros?
Sim. Os juros de depósitos a prazo, Certificados de Aforro e contas poupança estão sujeitos a retenção na fonte de 28% de IRS, aplicada automaticamente. O valor que recebes já é líquido.
Está na hora de pores o dinheiro a trabalhar
Se já tens o fundo de emergência feito e queres começar a investir a parte que não vais precisar nos próximos anos, a XTB é a plataforma que uso. Sem comissões em ações e ETFs até 100.000€/mês de volume, com uma app simples e conta demo para começares sem riscos.
Aviso: investir implica risco de perda de capital. Este não é um conselho de investimento.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão financeira, considera consultar um profissional certificado e avaliar a tua situação individual.