Em novembro, quem trabalha por conta de outrem ou recebe pensão no continente vai ver um ordenado líquido mais alto. A razão é o IRS em novembro: o Governo decidiu que a retenção na fonte desse mês é só metade da habitual, e isso vale também para o subsídio de Natal se for pago em novembro. Em dezembro, tudo volta ao normal.
Parece dinheiro extra, e em parte é. Mas convém perceber de onde vem antes de decidires o que fazer com ele, porque o IRS do ano só fica fechado na declaração de 2027.

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O que muda no IRS em novembro?
A retenção na fonte é o IRS que a empresa (ou a entidade que paga a pensão) desconta todos os meses do teu ordenado e entrega às Finanças por ti. É um adiantamento do imposto do ano.
Em novembro de 2026, esse desconto passa para metade. Segundo o ECO, o Despacho n.º 12523-A/2026, publicado em Diário da República e assinado pelo ministro das Finanças, manda calcular a retenção com as tabelas que já estão em vigor desde janeiro e aplicar só 50 % do valor que dá.
Vale para:
- ordenados e pensões pagos em novembro;
- o subsídio de Natal, se for pago em novembro.
A 1 de dezembro voltam as tabelas normais. A lei manda pagar o subsídio de Natal até 15 de dezembro (artigo 263.º do Código do Trabalho): se o teu for pago em dezembro, é descontado com as tabelas normais e não tem esta redução.
Porque é que o IRS em novembro baixa para metade?
O Parlamento aprovou uma nova descida das taxas de IRS dos seis primeiros escalões, com efeitos desde 1 de janeiro de 2026. Em vez de publicar tabelas novas, o Governo escolheu refletir esta descida de uma vez, no ordenado de novembro. Nas palavras do Ministério das Finanças citadas pelo ECO, o objetivo é que as famílias beneficiem já, sem terem de esperar pelo acerto do IRS no ano seguinte.
As taxas novas, segundo o ECO:
| Escalão | Taxa nova | Descida |
|---|---|---|
| 1.º | 12,2 % | 0,3 pontos |
| 2.º | 15,2 % | 0,5 pontos |
| 3.º | 20,7 % | 0,5 pontos |
| 4.º | 23,6 % | 0,5 pontos |
| 5.º | 30,6 % | 0,5 pontos |
| 6.º | 34,6 % | 0,3 pontos |
Como o IRS é progressivo, quem está acima do 6.º escalão também beneficia na parte do rendimento que cai nos escalões de baixo.
Quanto vais receber a mais em novembro?
Depende do teu ordenado, do estado civil e dos dependentes, porque é isso que define a tua taxa de retenção. A forma mais simples de saber: olha para a linha “IRS” do teu recibo de outubro. Se quiseres confirmar a taxa que te cabe, as tabelas de retenção em vigor estão no Portal das Finanças. Em novembro, essa linha deve vir com metade do valor, e a outra metade fica no teu líquido.
O ECO fez a conta para um caso concreto: um solteiro sem dependentes com 1 500 € brutos tem retido 168 € de IRS todos os meses deste ano. Em novembro, retém 84 €.
Juntando os 11 % da Segurança Social (165 €), a conta do líquido fica assim:
| Outubro | Novembro | |
|---|---|---|
| Ordenado bruto | 1 500 € | 1 500 € |
| Segurança Social (11 %) | − 165 € | − 165 € |
| Retenção de IRS | − 168 € | − 84 € |
| Líquido | 1 167 € | 1 251 € |
São mais 84 € nesse mês, só no ordenado.
Se o subsídio de Natal for pago em novembro, a retenção do subsídio também é feita a metade, e a diferença soma-se.
Quem fica de fora?
Há duas exceções, segundo o despacho citado pelo ECO.
Ordenados altos. A retenção continua inteira para quem recebe, por mês, mais do que o limite do penúltimo escalão das tabelas de retenção: 20 221 € brutos para solteiros, 20 468 € para casados, e cerca de 18 000 € no caso dos pensionistas.
Açores e Madeira. A medida vale só para residentes no continente.
E, como foi anunciada, aplica-se a salários e pensões. Se trabalhas a recibos verdes, as regras de retenção são outras; tens o resto da organização do dinheiro nesse caso no artigo sobre finanças para freelancers e recibos verdes.
E no IRS de 2027, o que acontece?
A parte que convém saber antes de gastar: o que não for retido em novembro não desaparece das contas. A retenção é só um adiantamento. O imposto que deves sobre os rendimentos de 2026 só é calculado quando entregares a declaração, entre abril e junho de 2027.
Nesse momento, as Finanças comparam o imposto devido, já com as taxas novas, com tudo o que te foi retido ao longo do ano. Se te retiveram mais do que devias, recebes reembolso. Se te retiveram menos, pagas a diferença. A retenção mais baixa de novembro entra nessa conta e, por isso, pode mexer no valor do teu reembolso de 2027. O resultado depende da situação de cada pessoa.
Se costumas contar com o reembolso para alguma coisa (as férias ou um seguro anual), não o dês como garantido no valor dos anos anteriores. Tens tudo sobre prazos e valores no artigo sobre quando cai o reembolso do IRS, e o passo a passo da declaração em como entregar o IRS sem erros.
O que fazer com o dinheiro a mais do IRS em novembro
Novembro é o mês da Black Friday e das primeiras compras de Natal. É fácil este dinheiro desaparecer em compras que não estavam previstas. Antes de ele cair na conta, decide para onde vai, pela ordem de sempre:
- Dívidas caras primeiro. Se tens cartão de crédito ou crédito pessoal com juros altos, amortizar uma parte é a forma mais segura de render este dinheiro. O caminho completo está no guia como sair das dívidas.
- Depois, o fundo de emergência. Se ainda não tens uma reserva para os imprevistos, este é um bom começo. Quanto juntar e onde está no guia do fundo de emergência.
- Só depois, o Natal. Se parte deste dinheiro for para prendas, decide o valor agora e mete-o no teu orçamento familiar do mês, como mais uma linha com teto.
E se és tu quem faz as contas da casa, aproveita para confirmar os valores do recibo de novembro: a linha do IRS deve vir a metade. Se não vier, fala com os recursos humanos.
Se o dinheiro a mais de novembro te fizer querer pôr as contas da casa em ordem de vez, o método está no ebook Orçamento Familiar Simplificado: a regra 50/30/20 adaptada a Portugal, como cortar custos sem perder o que gostas, o fundo de emergência e como automatizar a poupança. Custa 7 €.
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Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento fiscal personalizado. Para o teu caso concreto, confirma junto dos recursos humanos da tua empresa, da Autoridade Tributária ou de um contabilista certificado.