A Euribor a 12 meses deu o maior salto em três anos no final de março de 2026. Numa semana. E quem tem crédito à habitação em taxa variável já sentiu o impacto na prestação de abril.
Se a tua mensalidade subiu e não sabes bem o que fazer a seguir, este artigo foi escrito para ti.
Porque Está a Euribor a Subir?
A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa à qual os bancos europeus se emprestam dinheiro entre si. Quando sobe, o crédito fica mais caro — e as prestações dos créditos à habitação em taxa variável aumentam.
Em 2026, dois fatores estão a pressionar a Euribor em alta:
A guerra no Médio Oriente, que disparou o preço do petróleo para perto de 120 USD/barril e alimentou receios de inflação mais persistente.
As expectativas em torno do BCE, cujos membros sinalizaram que a próxima mexida nas taxas de referência será provavelmente para cima — contrariando o ciclo de descidas que tinha começado em 2024.
O resultado: a Euribor a 12 meses voltou a subir, e quem tem o crédito indexado a esta taxa já está a pagar mais.
Quanto Pode Ter Subido a Tua Prestação?
Depende do teu contrato — do montante em dívida, do prazo restante e do índice a que está indexado.
Para teres uma ideia do impacto, considera um exemplo real:
Crédito de 150.000€ com 25 anos restantes, spread de 1%:
| Euribor 12M | Prestação mensal aprox. |
|---|---|
| 1,5% (final de 2025) | ~665€ |
| 2,0% (início de 2026) | ~700€ |
| 2,5% (abril 2026) | ~735€ |
Ou seja, uma subida de 1 ponto percentual na Euribor pode representar 70€ a mais por mês neste exemplo — quase 840€ por ano.
O Que Podes Fazer Agora
1. Perceber Exatamente a Tua Situação
Antes de agir, tens de saber:
- Qual a Euribor que está indexada ao teu contrato (3, 6 ou 12 meses)?
- Em que mês é feita a revisão da tua taxa?
- Qual o montante em dívida e o prazo restante?
Esta informação está no teu contrato de crédito ou no extrato que o banco envia antes de cada revisão de taxa.
2. Amortizar Antecipadamente (Parcialmente)
Uma das formas mais eficazes de reduzir a prestação é fazer uma amortização antecipada parcial — ou seja, pagar uma parte do capital em dívida de uma vez.
O efeito é imediato: ao reduzires o capital em dívida, a prestação seguinte já será calculada sobre um valor mais baixo.
Em Portugal, os bancos são obrigados por lei a aceitar amortizações antecipadas. Para créditos à habitação em taxa variável, não existe comissão de amortização antecipada — podes fazê-lo sem custo.
Se tens poupanças acumuladas e a tua taxa de juro do crédito é superior à rentabilidade que consegues nas poupanças, amortizar pode fazer sentido.
3. Negociar o Spread com o Banco
O spread é a margem que o banco cobra por cima da Euribor. É negociável — especialmente se és bom pagador e tens uma relação longa com o banco.
Vale a pena pedir uma reunião e colocar a questão diretamente. Na pior das hipóteses, dizem que não. Na melhor, poupas 0,2% a 0,5% ao ano — o que em 150.000€ representa 300€ a 750€ por ano.
4. Ponderar a Transferência de Crédito
Se o teu spread é elevado — acima de 1,5% — pode compensar transferir o crédito para outro banco com melhores condições.
O processo tem custos (notariado, registo, comissão de transferência), mas num crédito de 150.000€ com muito prazo pela frente, a poupança anual pode superar largamente esses custos.
Compara sempre as propostas com a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e não apenas com a taxa nominal.
5. Passar para Taxa Fixa?
Com a Euribor a subir, muita gente pensa em passar para taxa fixa para ter certeza sobre o valor da prestação.
Antes de o fazeres, considera:
- As taxas fixas disponíveis atualmente já incorporam as expectativas de subida da Euribor — provavelmente não são baratas
- Passares para taxa fixa agora pode significar ficares “preso” num valor elevado se a Euribor descer daqui a 2 ou 3 anos
- Há normalmente uma comissão de conversão associada
Não há uma resposta certa. Depende do teu perfil de risco e da tua capacidade de absorver variações na prestação.
O Que Não Deves Fazer
Ignorar o problema. Uma prestação que subiu 50€ ou 70€ por mês pode parecer pouco, mas ao longo do ano pesa. Rever o orçamento agora vale a pena.
Amortizar o crédito se não tens fundo de emergência. Antes de usares poupanças para amortizar, garante que tens pelo menos 3 a 6 meses de despesas reservados. Liquidez é tudo em situações de imprevistos.
Tomar decisões precipitadas sobre taxa fixa. Uma mudança de taxa deve ser analisada com calma — não em reação imediata a uma subida.
Perguntas Frequentes
A minha prestação vai continuar a subir?
Depende da evolução da Euribor, que por sua vez depende das decisões do BCE. Os mercados antecipam uma possível subida de juros na reunião de 29-30 de abril. Ninguém consegue prever com certeza, mas o cenário mais provável a curto prazo é de Euribor estável a ligeiramente mais alta.
O banco é obrigado a avisar-me antes de subir a prestação?
Sim. O banco tem de te enviar uma notificação com antecedência antes de cada revisão de taxa, indicando o novo valor da prestação.
Posso pedir uma moratória ao banco?
As moratórias públicas que existiram em 2020-2022 terminaram. Mas podes pedir ao banco uma reestruturação do crédito — por exemplo, alargamento do prazo para reduzir a prestação mensal. Esta opção deve ser usada com cuidado, pois aumenta o total de juros pagos.
A amortização parcial reduz o prazo ou a prestação?
Podes escolher. Reduzir a prestação mensal alivia o orçamento imediato. Reduzir o prazo poupa mais juros no total. Se o objetivo é ter mais folga todos os meses, opta por reduzir a prestação.
Conclusão
A subida da Euribor é desconfortável, mas não é uma catástrofe — desde que rejas com calma e tomares decisões informadas. Conhecer a tua situação exata, explorar a amortização antecipada e negociar com o banco são os três primeiros passos que fazem mais diferença.
O pior que podes fazer é não fazer nada.
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Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão financeira, considera consultar um profissional certificado e avaliar a tua situação individual.