Recebeste uma chamada a dizer que havia movimentos suspeitos na tua conta e pediram-te um código que acabaste de receber por SMS? Ou um email do banco a avisar que a tua conta ia ser bloqueada se não clicasses num link? Se sim, quase apanhaste uma burla, e não estás sozinho. A OCDE identificou as fraudes financeiras como o principal risco para os consumidores em 2026, com uma tendência clara de agravamento ao longo do ano.
Vamos ver os golpes mais comuns em Portugal neste momento, e o que fazer para não caíres neles.
O golpe que está a crescer mais depressa: a chamada falsa do banco
O esquema mais preocupante agora começa quase sempre da mesma forma. Recebes um SMS ou email a imitar o teu banco, muitas vezes com o logótipo e o remetente parecidos com os verdadeiros. Pouco depois, recebes uma chamada de alguém que se apresenta como técnico de segurança do banco, a avisar sobre um movimento suspeito na tua conta.
A pessoa do outro lado sabe criar urgência: fala depressa, pede-te para confirmares dados “só para verificar que estás a falar com o banco”, e no fim pede um código que acabaste de receber por SMS. Esse código é precisamente o que os criminosos precisam para autorizar uma transferência a partir da tua conta.
Só em 2025, o Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República recebeu 695 denúncias de phishing e 303 de chamadas fraudulentas. E o esquema continua a evoluir, com quem o pratica a recorrer cada vez mais a inteligência artificial generativa para tornar as mensagens e até as vozes mais convincentes.
Os outros golpes que também valem a pena conheceres
Além das chamadas falsas, há três padrões que se repetem com frequência:
Falsos investimentos com promessas de retorno rápido. Grupos de WhatsApp ou anúncios nas redes sociais prometem duplicar o teu dinheiro em semanas, muitas vezes ligados a criptoativos. Se a promessa parece boa demais para ser verdade, é porque é.
Burlas em marketplaces e redes sociais. Produtos que nunca chegam, ou que chegam completamente diferentes do anunciado, depois de já teres feito a transferência.
Quishing. A versão mais recente do phishing, feita através de QR codes falsos, colados por cima dos verdadeiros em parquímetros, restaurantes ou até cartazes publicitários.
Como reconhecer que estás a ser alvo de uma burla
Há um padrão que se repete em quase todos estes esquemas, e uma vez que o reconheces, fica muito mais difícil caíres neles.
Primeiro, a urgência artificial. Os burlões precisam que ajas antes de pensares, por isso criam sempre uma sensação de que algo mau vai acontecer se não agires já.
Segundo, o pedido de códigos ou dados que o banco nunca pede por telefone ou SMS. Nenhuma instituição financeira te vai pedir a palavra-passe do homebanking, o código da caderneta digital, ou o código que acabaste de receber por SMS. Nunca.
Terceiro, canais que imitam o oficial mas não são. Links em SMS que parecem levar ao site do banco, mas que têm um domínio ligeiramente diferente.
O que fazer se achas que estás perante uma burla
Desliga a chamada e liga diretamente para o número oficial do teu banco, que já tens guardado ou que consta do cartão. Nunca uses o número que apareceu na chamada suspeita, nem cliques em links recebidos por SMS ou email para “confirmar” a tua identidade.
Se já forneceste dados ou um código, contacta o banco de imediato para bloquear a conta e reportar o incidente. Quanto mais depressa agires, maior a hipótese de travar a transferência antes de ser concluída.
Podes também reportar o caso ao Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República, através do site do Ministério Público, e à tua operadora se o esquema envolveu SMS fraudulentas.
O melhor investimento é a prevenção
Ter o teu orçamento organizado ajuda-te a notar rapidamente se algo estranho aconteceu na tua conta, porque sabes exatamente quanto deveria lá estar. Se ainda não tens esse hábito montado, expliquei aqui como organizar o teu dinheiro com a regra 50/30/20.
E se estás a pensar onde guardar poupanças com mais segurança e sem cair em promessas de retornos irrealistas, já comparei os produtos de poupança mais seguros em Portugal, todos com capital garantido pelo Estado ou pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento de uma autoridade competente. Se foste vítima de uma burla financeira, contacta de imediato o teu banco e as autoridades.