Já assinaste ou pediste um crédito habitação e recebeste um documento cheio de siglas, TAEG, TAN, MTIC, que ninguém te explicou direito? Provavelmente era a FINE, e é provavelmente o documento mais importante que recebeste durante todo o processo, e o que menos gente lê com atenção.
Vamos destrinçar o que é a FINE, em que é diferente da FIN, e porque é que vale a pena parares dois minutos a olhar para ela antes de assinar qualquer coisa.
FIN e FINE não são a mesma coisa
FIN e FINE parecem a mesma sigla com uma letra a mais, mas aplicam-se a produtos diferentes.
A FINE, Ficha de Informação Normalizada Europeia, é obrigatória para as instituições de crédito antes de contratares um crédito à habitação. Detalha as principais características desse produto específico.
A FIN, Ficha de Informação Normalizada, tem o mesmo objetivo, mas aplica-se a outros produtos: crédito pessoal, cartões de crédito, depósitos.
Ambos os documentos seguem um modelo padronizado, o que é bom para ti: significa que consegues comparar propostas de bancos diferentes lado a lado, porque a estrutura da informação é sempre igual.
Quando é que recebes a FINE
A FINE aparece em dois momentos do processo de crédito habitação, e é importante distinguires os dois:
No momento da simulação, baseada nas informações que forneceste ao banco. É uma estimativa, ainda não é o compromisso final.
No momento da aprovação, já com as condições finais do crédito. Esta é a versão que realmente importa, porque reflete o que vais mesmo pagar.
Se recebeste uma FINE na simulação e outra na aprovação com valores diferentes, não é erro. É normal, porque as condições podem mudar entre os dois momentos, sobretudo se a Euribor tiver mexido entretanto (já expliquei o que está a acontecer à Euribor e à tua prestação) ou se a tua situação financeira tiver sido revista. Vale também a pena confirmares se o teu processo ainda cai nas regras de crédito habitação em vigor até final de julho, porque isso também pode alterar as condições da tua FINE final.
O que vem dentro da FINE
A FINE inclui um conjunto de informações que, juntas, te dão uma imagem completa do custo real do crédito:
- A TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), que é a taxa que junta todos os custos do crédito, não só os juros
- A TAN (Taxa Anual Nominal), que é só a taxa de juro
- Os encargos associados, como seguros e comissões
- O montante do empréstimo e o total a reembolsar (MTIC, Montante Total Imputado ao Consumidor)
- A periodicidade e montante das prestações
- As condições de reembolso antecipado
- As consequências de incumprimento
- A autoridade de supervisão responsável pela instituição
O detalhe mais importante para quem está a comparar propostas é a diferença entre TAN e TAEG. A TAN é só a taxa de juro nua, e é a que os bancos costumam destacar em publicidade porque parece mais baixa. A TAEG é a que reflete o custo real, porque inclui seguros obrigatórios, comissões, e outros encargos. Duas propostas com a mesma TAN podem ter TAEGs bem diferentes.
Se estás a comparar FINEs de bancos diferentes e queres uma segunda opinião sobre qual é mesmo a mais vantajosa, posso ajudar-te a simular sem compromisso.
👉 Simular o meu crédito habitação
Porque é que isto importa tanto
Muita gente assina o crédito habitação sem pedir para comparar a FINE de propostas diferentes, porque o processo já está cansativo e só quer despachar. É compreensível, mas é também onde se perdem centenas ou milhares de euros ao longo do crédito.
Se estás a comparar bancos, pede sempre a FINE de cada proposta antes de decidires. Não te fiques pela taxa de juro que te dizem ao telefone. Olha para a TAEG, para o MTIC, e para as condições de reembolso antecipado, porque é aí que aparecem os custos escondidos que fazem a diferença entre propostas que parecem iguais mas não são.
Como comparar duas FINEs de bancos diferentes
Coloca as duas fichas lado a lado e olha para estes quatro pontos, por esta ordem:
Primeiro, a TAEG. É o número mais importante, porque junta tudo. Se um banco tem TAEG mais baixa, começa por aí.
Segundo, o MTIC, o montante total que vais pagar ao longo do crédito inteiro. Uma TAEG parecida pode resultar num MTIC diferente consoante o prazo.
Terceiro, as condições de reembolso antecipado. Se pensas amortizar o crédito mais cedo no futuro, vale a pena confirmar quanto custa fazê-lo em cada proposta.
Quarto, os seguros associados. Alguns bancos obrigam a contratar o seguro de vida e multirriscos com eles, o que pode inflacionar o custo total mesmo que a taxa de juro pareça competitiva.
Se depois de comparares perceberes que outro banco tem mesmo uma proposta melhor, já expliquei em detalhe quando compensa transferir o crédito habitação para outro banco.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão sobre o teu crédito habitação, considera consultar um profissional certificado e avaliar a tua situação individual.
Queres receber mais explicações como esta, sem complicações, diretamente no teu email?
Junta-te a milhares de portugueses que já recebem a newsletter do Coach das Finanças.
👉 Subscrever a newsletter
Se estás a comparar propostas de crédito habitação e queres ajuda a perceber qual delas é mesmo mais vantajosa, posso ajudar-te a simular sem compromisso.
👉 Simular o meu crédito habitação