O S&P 500 atingiu uma nova máxima histórica. E a primeira coisa que a maioria das pessoas sente é desconforto.
“Agora não. Está demasiado caro. Vou esperar por uma correção.”
É uma reação humana completamente normal. Mas os dados dizem outra coisa — e vale a pena perceber porquê, antes de tomar qualquer decisão.
O que significa, exatamente, uma máxima histórica?
Uma máxima histórica significa que o índice está a um nível que nunca tinha atingido antes. Simples assim.
O que já não é tão óbvio é a frequência com que isso acontece. Segundo dados da Apollo Global Management, o S&P 500 fecha em máxima histórica cerca de 18 vezes por ano, em anos normais. Ou seja, quase todos os meses há um novo máximo.
Esperar sempre por uma correção antes de investir equivale a ficar fora do mercado a maior parte do tempo. E “fora do mercado” não é uma posição neutra — tem um custo real que se acumula silenciosamente ao longo dos anos.
O que dizem os dados sobre investir em máximos
Esta é a parte que contraria o instinto.
O J.P. Morgan analisou todos os momentos em que o S&P 500 atingiu uma máxima histórica desde 1970. Conclusão: quem investiu nesses momentos obteve, em média, um retorno de 9,6% nos 12 meses seguintes — ligeiramente acima dos 9,4% registados em dias normais. A 24 meses, a diferença alarga: 20,2% para quem investiu em máximos, contra 18,9% nos restantes dias.
Não é uma diferença dramática. Mas é suficiente para desfazer o mito de que investir em máximos é particularmente arriscado.
Há outro ângulo importante: a questão não é apenas o retorno esperado, mas a probabilidade de perda. E aqui os dados são ainda mais claros.
Lump sum vs. DCA: o que a investigação diz
Um dos debates mais comuns entre investidores é este: é melhor investir tudo de uma vez (lump sum) ou distribuir ao longo do tempo (dollar-cost averaging, ou DCA)?
A Vanguard estudou esta questão com dados do MSCI World entre 1976 e 2022, abrangendo vários mercados globais. O resultado: investir um montante único de imediato superou uma estratégia de DCA escalonado em 68% dos casos.
A razão é simples: os mercados sobem mais tempo do que descem. Cada dia com dinheiro parado em cash é um dia sem capitalização.
Mas — e este é o nuance que muita gente ignora — a Vanguard também descobriu que mesmo o DCA superou ficar completamente em cash em 69% dos casos. O verdadeiro inimigo não é investir em máximos. É não investir de todo.
Para a maior parte dos portugueses que investe a partir do salário mensal, este debate é em parte teórico: ao aportar todo o mês, já se está a fazer DCA por definição. O importante é manter a regularidade — independentemente do nível do mercado.
O papel do DCA na gestão emocional
Os dados favorecem o lump sum quando existe capital disponível. Mas os dados assumem que o investidor aguenta a volatilidade sem desfazer a posição.
Na prática, isso nem sempre acontece. Quem investe tudo de uma vez num momento de mercado elevado e vê uma queda de 20% nos meses seguintes tem muito mais probabilidade de vender por pânico do que quem foi aportando gradualmente.
A melhor estratégia de investimento é aquela que consegues manter durante uma correção de 30%. Para muitos investidores iniciantes, o DCA regular é precisamente essa estratégia — não porque maximize o retorno esperado, mas porque minimiza o risco de tomar decisões emocionais no pior momento.
VWCE vs. ETF do S&P 500: porque é que a diversificação global importa
Uma questão que surge naturalmente quando o S&P 500 está em máximos: porque não comprar diretamente um ETF do S&P 500, em vez de um ETF global como o VWCE?
Há uma razão estrutural importante aqui.
O VWCE já inclui exposição aos EUA — cerca de 62% do seu peso são empresas americanas. Comprar os dois seria duplicar uma posição sem obter diversificação real.
Mas a razão mais profunda tem a ver com incerteza sobre o futuro. A última década foi excecionalmente favorável para os EUA. O S&P 500 dominou claramente os mercados globais. No entanto, na década entre 2002 e 2012, foi o oposto: os mercados desenvolvidos globais superaram o S&P 500 durante dez anos consecutivos.
Ninguém sabe quais serão as próximas décadas dominantes. O VWCE é a forma de não precisares de adivinhar — tens os EUA, a Europa, o Japão e os mercados emergentes numa única posição. Se um ciclo favorecer outro mercado, a carteira beneficia na mesma.
Isto não significa que o S&P 500 seja uma má escolha. É um índice excelente. Mas para uma carteira construída com horizonte de longo prazo e sem necessidade de fazer previsões, a diversificação global reduz a dependência de qualquer região específica.
O que fazer com este contexto
Não existe resposta universal. Mas existem princípios que os dados sustentam:
- Investir regularmente supera esperar pelo momento certo — em quase todos os períodos históricos analisados
- O momento de mercado importa muito menos do que o tempo no mercado — a diferença de retorno entre investir em máximos e noutros momentos é marginal a longo prazo
- A consistência é o ativo mais difícil de construir — e o mais valioso
Se tens dúvidas sobre como estruturar a tua própria carteira, o primeiro passo é perceber o teu perfil de risco, o teu horizonte temporal e os instrumentos disponíveis. Só depois faz sentido pensar em qual ETF ou estratégia de aporte se adequa à tua situação.
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Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, considera consultar um profissional certificado e avaliar a tua situação individual.
Este artigo foi produzido em parceria comercial com a XTB. Investir em produtos financeiros envolve risco de perda, incluindo perda de capital. Os retornos passados não garantem resultados futuros.
Preferes ver do que ler? Abordei este tema em detalhe no segundo episódio da Carteira da Comunidade — com o aporte feito em direto, com o mercado na máxima histórica. 👉 Ver o vídeo: “O S&P 500 Está na Máxima Histórica — Devo Mesmo Investir Agora?”
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