O Banco de Portugal vai reduzir o limite máximo da taxa de esforço no crédito habitação de 50% para 45%. Sem data oficial ainda, mas deverá acontecer antes do verão. Para quem já tem crédito aprovado: não muda nada. Para quem está a tentar pedir, pode ser a diferença entre aprovação e recusa.
O Que É a Taxa de Esforço e Como Se Calcula
A taxa de esforço — ou DSTI, sigla em inglês para debt service-to-income ratio — é a percentagem do rendimento líquido mensal que vai para pagar prestações de crédito. Todos os créditos contam: habitação, automóvel, pessoal, cartão de crédito com revolving activo.
Taxa de esforço = (soma de todas as prestações mensais) ÷ (rendimento líquido mensal)
Exemplo: uma família com 2.000€ líquidos que paga 400€ de crédito habitação e 200€ de crédito automóvel está nos 30% — bem dentro dos limites actuais e futuros.
A mesma família, se pedisse um crédito com prestação de 900€ (45% do rendimento), estaria exactamente no novo limite. Com o tecto actual de 50%, a prestação máxima seria 1.000€.
O Que Vai Mudar e Quando
Segundo o Jornal de Negócios, a decisão já terá sido tomada após consulta aos bancos. A entrada em vigor aguarda comunicação oficial do BdP — a expectativa é que seja antes do verão de 2026.
Impacto estimado pelo regulador: entre 10% e 15% dos novos créditos habitação podem deixar de ser aprovados. A maioria fica salvaguardada — em 2025, 76% dos novos contratos tinham taxa de esforço igual ou inferior a 45%.
Quem já tem crédito aprovado não sente nada. As condições negociadas mantêm-se.
Para quem vai pedir: a prestação máxima admissível desce. Com 2.000€ líquidos, o tecto passa de 1.000€ para 900€ mensais — contando todos os créditos em simultâneo.
Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. As regras de concessão de crédito podem ser alteradas pelo Banco de Portugal. Antes de tomar qualquer decisão, avalia a tua situação e consulta um profissional certificado.
Quem Vai Sentir Mais
Famílias com rendimentos até 2.000€ líquidos. O preço das casas não escala com os salários. Uma família que ganha 1.400€ e precisa de um crédito com prestação de 650€ já está nos 46,4% — acima do novo limite.
Jovens com garantia pública. O programa permite financiamentos até 100% do imóvel, o que aumenta a prestação. Com salários de início de carreira, chegar ao limite de esforço é mais fácil.
Compradores com outros créditos activos. Um crédito automóvel de 150€/mês come 7,5 pontos percentuais de taxa de esforço para um rendimento de 2.000€. Quem tem vários créditos perde margem rapidamente.
Compradores sem poupanças para a entrada. Financiar 90% ou mais do imóvel significa prestações mais altas e taxa de esforço a apertar.
Porque o BdP Está a Fazer Isto Agora
As poupanças das famílias estão a recuar. A adesão à garantia pública está em alta. Os preços das casas chegaram a máximos históricos. E a Euribor voltou a subir, impulsionada pela instabilidade gerada pela guerra no Médio Oriente.
O governador Álvaro Santos Pereira tem manifestado preocupação pública com o aumento de créditos concedidos com rácio DSTI acima de 45%. O BdP quer travar isso antes que o problema seja maior.
O Que Podes Fazer Antes da Medida Entrar em Vigor
Liquida créditos pequenos. Fechar o crédito pessoal ou o cartão de crédito com revolving reduz directamente a taxa de esforço calculada pelo banco. Mesmo 50€ ou 80€ de prestação a menos têm impacto no rácio.
Aumenta a entrada. Cada 10.000€ adicionais de entrada reduzem a prestação de um crédito a 30 anos em cerca de 45€ a 50€ por mês. Menos capital financiado, menos esforço.
Considera um prazo mais longo. Para quem tem menos de 30 anos, os bancos podem conceder créditos a 40 anos. Reduz a prestação mensal — embora aumente o custo total de juros.
Renegocia o que já tens. Créditos activos com taxas altas podem ser renegociados ou consolidados. Uma prestação mais baixa agora abre espaço para a prestação da casa.
Perguntas Frequentes
A taxa de esforço de 45% é calculada antes ou depois dos impostos?
Depois. O BdP usa o “rendimento mensal líquido de impostos e contribuições obrigatórias à Segurança Social” como base de cálculo.
Existem excepções ao limite de 45%?
Sim. Os bancos podem conceder até 10% dos novos créditos com DSTI entre 45% e 60%, e até 5% acima desse valor. Usam-se em casos com outros factores de redução de risco — historial de poupança sólido, activos significativos, ou perfil de risco muito baixo.
Esta medida afecta o crédito habitação já aprovado?
Não. Aplica-se apenas a novos pedidos. Quem já tem contrato assinado mantém as condições acordadas.
O limite de 45% inclui apenas a prestação da casa?
Não. Inclui tudo: habitação, automóvel, pessoal, e cartões com utilização de crédito. É a soma total dividida pelo rendimento líquido.
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