É uma das dúvidas mais frequentes de quem está a comprar casa: taxa fixa, variável ou mista — qual a melhor escolha? A resposta depende do teu perfil financeiro, da tua tolerância ao risco e do contexto de mercado. E em 2026, esse contexto mudou.
A Euribor estabilizou em torno dos 2-2,5%, muito abaixo dos máximos de 2023. Ao mesmo tempo, 75% dos novos contratos de crédito habitação em Portugal foram celebrados com taxa mista no último ano, segundo o Banco de Portugal. Perceber porque é que três em cada quatro famílias estão a escolher esta opção — e se faz sentido para o teu caso — é o que este artigo explica.
O que são as três taxas e como funcionam
Taxa variável — indexada à Euribor (a 3, 6 ou 12 meses) acrescida do spread. A prestação sobe e desce consoante a Euribor é revista. Historicamente foi a mais usada em Portugal e, em períodos de Euribor baixa, é a mais barata. Em períodos de subida, pode tornar-se rapidamente cara.
Taxa fixa — a prestação mantém-se igual durante todo o período contratado, independentemente do que aconteça à Euribor. Dá previsibilidade total, mas é tipicamente mais cara do que a variável ou mista. Em 2026, a TAEG média dos contratos a taxa fixa está entre 4,2% e 4,5% — mais 0,5% a 2,5% face à variável.
Taxa mista — começa com um período de taxa fixa (geralmente 2, 3, 5 ou 10 anos) e depois passa automaticamente para taxa variável. É o meio-termo: previsibilidade nos primeiros anos, flexibilidade depois.
O que dizem os números em 2026
Com a Euribor a 6 meses em torno de 2,46% (abril de 2026) e um spread típico de 0,7-1%, a taxa variável está a resultar em TAN de 3,2% a 3,5% para quem tem bom perfil. A taxa mista, nos períodos iniciais fixos, está a ser contratada entre 2,7% e 3,3% nos bancos mais competitivos.
A taxa fixa para todo o prazo está mais cara — tipicamente acima de 4% — e só compensa se a Euribor voltar a subir significativamente, o que as projeções do BCE para 2026 não antecipam.
Resultado prático: num empréstimo de 180.000€ a 30 anos, a diferença entre contratar a taxa mista (3,0%) e a taxa fixa (4,2%) é de cerca de 120€ por mês — mais de 1.400€ por ano.
Qual escolher — o mapa por perfil
Perfil conservador / orçamento apertado → Taxa mista
Se a prestação mensal pesa muito no teu orçamento e não tens margem para absorver subidas, a taxa mista dá-te estabilidade durante os primeiros anos — que são tipicamente os mais difíceis (entrada para casa, obras, mobília). Podes depois avaliar renegociar ou transferir quando o período fixo terminar.
Perfil moderado / alguma margem financeira → Taxa variável
Se tens fundo de emergência sólido, se a prestação representa menos de 30% do teu rendimento líquido e se acreditas que a Euribor se manterá estável ou descerá, a taxa variável permite beneficiar das descidas sem pagar o “prémio” da estabilidade.
Perfil avesso ao risco / horizonte muito longo → Taxa fixa
Se precisas de saber exactamente quanto pagas durante 20-30 anos — porque és freelancer, tens rendimentos variáveis, ou simplesmente não toleras incerteza — a taxa fixa pode valer o custo adicional. Mas em 2026 está cara: só compensa se acreditares numa subida acentuada da Euribor.
A pergunta decisiva não é “qual a taxa mais baixa hoje” — é “se a prestação subir 200€ por mês, o meu orçamento aguenta?”. Se a resposta for não, a variável pura tem risco real para o teu caso.
O que muda na taxa mista quando passa para variável
Este é o ponto que mais pessoas ignoram quando contratam taxa mista: quando o período fixo termina, a prestação passa a ser revista periodicamente com a Euribor do momento. Se a Euribor tiver subido entretanto, a prestação pode aumentar significativamente.
O que fazer antes do período fixo terminar:
- Verificar as condições de mercado com pelo menos 6 meses de antecedência
- Avaliar se convém renegociar com o banco actual ou transferir o crédito para outra instituição
- Usar o período fixo para amortizar capital — reduz o impacto de qualquer subida futura
Comissões de amortização: a diferença que poucos sabem
A escolha da taxa afecta também o que pagas se quiseres amortizar antecipadamente:
| Taxa | Comissão máxima de amortização antecipada |
|---|---|
| Variável | 0,5% do capital amortizado |
| Fixa | 2% do capital amortizado |
| Mista | Depende do período (0,5% se variável, 2% se fixo) |
Se tens planos de amortizar com o reembolso do IRS, subsídio de férias ou outros extras, este custo é relevante. Para saber mais sobre quando compensa amortizar, lê Amortizar o crédito habitação ou investir?
FAQ
Taxa mista ou variável: qual é mais barata agora?
Com a Euribor em torno de 2,5% e spreads competitivos, a taxa variável está a ser ligeiramente mais barata do que a mista no curto prazo. A mista cobra um “prémio” pela estabilidade inicial. Se vais amortizar muito nos primeiros anos, a variável pode ser mais vantajosa.
Posso mudar de taxa depois de assinar o contrato?
Sim. Podes renegociar com o teu banco ou transferir o crédito para outro banco com o tipo de taxa que preferes. Consulta o nosso guia sobre como renegociar o crédito habitação.
O que é a Euribor e por que afecta a minha prestação?
A Euribor é a taxa a que os bancos europeus se emprestam dinheiro entre si. Nos créditos com taxa variável ou na fase variável da taxa mista, a tua prestação é calculada somando a Euribor ao spread contratado. Quando a Euribor sobe, a prestação sobe. Quando desce, a prestação desce. A revisão acontece a cada 3, 6 ou 12 meses, consoante o indexante escolhido.
A taxa fixa vale a pena em 2026?
Com a TAEG fixa acima de 4% e a variável/mista abaixo de 3,5%, a taxa fixa está cara no contexto actual. Só compensa para perfis muito conservadores ou se as previsões de Euribor invertessem significativamente — o que as projecções do BCE para 2026 não antecipam.
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Este conteúdo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão financeira, considera consultar um profissional certificado e avaliar a tua situação individual.