Se estás a começar um negócio ou um projeto, é provável que já te tenham pedido números antes de te pedirem ideias. Eu e a Catarina Reis, minha namorada e consultora imobiliária, ouvimos isso muitas vezes quando procurávamos espaço para mostrar o nosso trabalho: não têm seguidores suficientes. Em vez de esperarmos que alguém nos abrisse a porta, decidimos criar oportunidades, para nós e para quem está na mesma situação. Daí nasceu a Origena Ventures, a empresa de eventos e networking que criámos juntos.
No fim de setembro fomos os dois ao PodSer, o podcast de empreendedorismo do Eduardo Ribeiro e da Ana Paula Ribeiro, gravado em Leiria, contar como isso aconteceu.
Falámos da Origena, do evento que estamos a organizar para 17 de outubro em Lisboa, O Futuro do Imobiliário Tecnológico, e de uma coisa que interessa a qualquer pessoa que esteja a começar um projeto: o que fazes quando as portas não abrem. O episódio completo está no canal do PodSer no YouTube. Aqui ficam as 4 coisas que eu tiraria dele se estivesse do outro lado.
1. Criar oportunidades quando as portas se fecham
Quando procurávamos espaço para mostrar o nosso trabalho, pediam-nos prova social, números, seguidores. Sem isso, a conversa acabava antes de começar, e não interessava o que sabíamos.
Há muitos anos, quando ainda vivia no Algarve (conto essa fase na minha história), conheci um amigo que tinha criado uma empresa. Mais tarde levei-o ao meu podcast e perguntei-lhe porque é que a tinha criado. A resposta dele ficou-me na cabeça: quando ninguém te dá oportunidades, crias as tuas.
Demorei a perceber o que aquilo queria dizer na prática. Se eu não criasse as minhas oportunidades, não ia ser outra pessoa a dar-mas. Quem tem bom coração ajuda, claro, mas o primeiro passo tem de ser teu. Por isso, um dos objetivos que levamos para cada evento da Origena é trazer oradores que atraem público e, ao lado deles, dar palco a quem ainda não o teve. É a porta que nos faltou a nós.
2. Quanto custa pôr alguém num palco
O Eduardo é orador no Brasil e contou que lá quem sobe ao palco é pago, e que o valor depende do evento e do tempo em palco. Em Portugal encontrou o contrário: eventos em que é o orador que paga para participar.
Eu respondi-lhe com a conta de quem organiza. Muitas empresas que começam em Portugal não conseguem pagar 2.000€ a um orador, e há eventos em que 2.000€ é o que sobra no fim. Antes disso pagas o espaço, a receção e tudo o resto. O nosso evento de 17 de outubro é gratuito para quem entra, por convite, e isso quer dizer que o investimento de arranque é todo nosso.
A forma que encontrámos de o tornar possível foram as parcerias. Cada parceiro dá o que sabe fazer e leva visibilidade em troca. A Marina Rodrigues Fotografia vai fotografar o evento, a Goulart vai filmá-lo e o PodSer vai estar na sala a fazer entrevistas. Quem nos está a ajudar agora, no arranque, vai ficar com o logótipo no site da Origena de forma permanente, porque ninguém cresce sozinho e quem acreditou primeiro merece ficar à vista.
Se estás a começar alguma coisa com pouco dinheiro, esta é a parte que eu sublinhava. Antes de perguntares quanto custa, pergunta o que podes trocar. As parcerias são a forma mais barata que conheço de criar oportunidades para os dois lados.
3. Dois anos sem faturar
Houve um momento da conversa que não estava preparado. A Catarina contou que esteve dois anos no imobiliário sem faturar. É uma profissão sem ordenado fixo: vives do que vendes, e durante dois anos não vendeu.
Muita gente à volta dela dizia-lhe para desistir, que aquilo não tinha futuro. Ela continuou e pôs-se a ver vídeos sobre vendas no YouTube, uma coisa que nunca tinha estudado. Eu estava lá todos os dias a dizer-lhe para continuar, e hoje sinto que o meu crescimento desde que estamos juntos tem sido enorme. Quando tens a pessoa certa ao lado, consegues olhar para o longo prazo mesmo quando o mês corre mal.
4. Uma conversa leva à próxima
O Eduardo contou outra coisa que me ficou. A entrevista que tinham gravado nesse mesmo dia nasceu de um evento onde tinham estado, e desse evento já tinham saído mais três. Eles conhecem os convidados nas salas, e não por mensagem.
Eu já tive um podcast e fazia as entrevistas por videochamada, porque os estúdios que queria eram caros. Funciona, mas é diferente. Sentados à mesma mesa, a conversa muda para quem vê, para quem pergunta e para quem responde. É por isso que acredito tanto em eventos pequenos e presenciais: estar na sala é a forma mais simples de criar oportunidades que não aparecem por mensagem.
O Futuro do Imobiliário Tecnológico
O evento de que falámos no episódio é no sábado, 17 de outubro de 2026, das 15h00 às 19h00, no Hotel Turim Lisboa. Parte de uma pergunta: como sobreviver à revolução tecnológica do imobiliário? O debate passa pela inteligência artificial, pelas plataformas proptech, pelos novos modelos de financiamento e pelo papel do consultor.
À mesa vamos estar eu, a Alice Queiroz, o José Valverde e a Jamila Baldé, com moderação da Telma Santos. A Catarina abre e fecha o evento. A entrada é por convite, até 50 convidados, e o programa completo está na página do evento.
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