Depósitos a prazo ou certificados de aforro: o que rende mais em 2026

Tens dinheiro parado numa conta à ordem e sabes que devias fazer alguma coisa com ele, mas sempre que abres o site do banco ou da Direção-Geral do Tesouro apanhas uma lista de siglas que parecem todas a mesma coisa. Certificados de aforro, certificados do tesouro, depósitos a prazo, contas remuneradas. Qual é a diferença de verdade, e qual rende mais agora?

A resposta mudou nos últimos meses, e a comparação entre depósitos a prazo ou certificados de aforro vale a pena perceberes antes de mexer no teu dinheiro.

O que aconteceu com as taxas em 2026

As taxas de juro dos depósitos a prazo sobem pelo quarto mês seguido, e já estão em 1,48%. Ao mesmo tempo, os novos certificados do tesouro captaram 120 milhões de euros numa única semana, com uma taxa de 2,71%, o que levanta uma questão óbvia: estão a canibalizar os certificados de aforro, que continuam a ser o produto mais popular entre os portugueses?

Ou seja, estamos numa altura em que três produtos de poupança conservadora estão todos a mexer ao mesmo tempo. É uma boa oportunidade para comparar sem estares a decidir às cegas.

Antes de avançarmos, uma nota importante: nada disto substitui teres o teu orçamento organizado primeiro. Se ainda não sabes exatamente quanto sobra no fim do mês, começa por aí. Já expliquei como gerir o dinheiro com a regra 50/30/20 adaptada a Portugal, e é o primeiro passo antes de pensares em onde poupar.

Depósitos a prazo: o clássico, mas nem sempre o melhor

Antes de comparares depósitos a prazo ou certificados de aforro, começa pelo mais simples. Um depósito a prazo é simples. Entregas o dinheiro ao banco por um período definido e recebes uma taxa fixada à partida. O capital está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100 mil euros por titular e por instituição.

A taxa média subiu para 1,48%, o quarto mês seguido de subida. Mas atenção: isto é uma média. Há bancos digitais e fintechs a oferecer taxas bem mais altas, sobretudo para novos clientes ou em campanhas limitadas.

O que pesa contra o depósito a prazo tradicional é a fiscalidade: paga-se 28% de IRS sobre os juros, tal como nos outros produtos, mas muitas vezes a taxa bruta oferecida já é mais baixa do que a concorrência.

Certificados de aforro: continuam a ser o produto mais escolhido pelos portugueses

Os certificados de aforro são emitidos pelo Estado português e têm uma vantagem clara: a taxa é indexada à Euribor a 3 meses, com um prémio adicional que cresce quanto mais tempo mantiveres o dinheiro investido.

A taxa dos certificados de aforro em julho subiu, seguindo a subida da Euribor a 3 meses, que passou de 2,215% em maio para 2,356% em junho. Isto traduz-se numa taxa líquida (depois do IRS de 28%) de cerca de 1,696%.

Um exemplo prático: quem aplicar 10 mil euros em certificados de aforro em junho vai capitalizar juros de cerca de 42,41 euros no final do trimestre, em outubro.

A grande vantagem dos certificados de aforro é a liquidez: podes resgatar o dinheiro quando quiseres, sem penalização no capital, embora percas parte da rentabilidade se resgatares antes do prazo mínimo.

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Certificados do tesouro: a terceira opção nos depósitos a prazo ou certificados de aforro

Os certificados do tesouro são um produto mais recente e têm chamado a atenção. Captaram 120 milhões de euros numa só semana, com uma taxa de 2,71%, valor que se aproxima do máximo previsto para a série anterior de certificados de aforro.

A diferença principal é que os certificados do tesouro costumam ter uma taxa fixa definida à partida, ao contrário dos certificados de aforro, que estão indexados à Euribor e por isso variam. Isto significa mais previsibilidade, mas também significa que se a Euribor continuar a subir, podes ficar a ganhar menos do que quem escolheu um certificado de aforro.

Depósitos a prazo ou certificados de aforro: onde pôr o teu dinheiro parado?

Não há uma resposta única entre depósitos a prazo ou certificados de aforro, porque depende do que precisas.

Se precisas de acesso rápido ao dinheiro (fundo de emergência, por exemplo), os certificados de aforro continuam a ser difíceis de bater, por causa da liquidez sem penalização de capital.

Se queres uma taxa fixa e sabes que não vais precisar do dinheiro durante algum tempo, os certificados do tesouro, com 2,71%, são atualmente competitivos.

Se preferes simplicidade e já tens conta num banco com boa oferta, um depósito a prazo pode fazer sentido, sobretudo se encontrares uma taxa promocional acima da média de 1,48%. É esta a decisão prática, no fundo, entre depósitos a prazo ou certificados de aforro.

O erro mais comum não é escolher mal entre depósitos a prazo ou certificados de aforro. É deixar o dinheiro parado numa conta à ordem, sem qualquer rendimento, só porque a comparação parece complicada. Qualquer um destes três produtos rende mais do que zero.


Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão sobre onde aplicar as tuas poupanças, considera consultar um profissional certificado e avaliar a tua situação individual.

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